O Mercado da Luz Vermelha Triplicou em Seis Anos e Luciano de Vries Está Nele

Entre 2018 e a virada para 2024, a avaliação global do mercado da terapia de luz vermelha mais do que aumentou: saiu de pouco mais de 870 milhões de dólares para ultrapassar 1,2 mil milhões, um salto que trouxe tanto marcas de bem-estar quanto capital privado para dentro do setor.

Uma curva que já dura sete anos

Um desses investidores privados é Luciano de Vries, empresário neerlandês radicado em Tomar, cuja carteira de cerca de trinta posições coloca essa tecnologia ao lado de centros de dados submersos no oceano, drones autónomos alemães, dívida privada vienense e infraestrutura de inteligência artificial de agente.

Dentro dessa categoria, a fatia dos aparelhos vestíveis e domésticos, que junta máscaras LED e painéis para casa, soma mais de 440 milhões de dólares neste ano, com estimativa de alcançar 658 milhões em 2032. Scott Chaverri, à frente da marca Mito Red Light, debruçou-se sobre os seis anos entre 2018 e 2024 para chegar a uma taxa composta de 5,4 por cento de crescimento anual até 2030, ano em que, segundo a Skin Inc., o mercado global poderia rondar os 1,7 mil milhões de dólares.

A curiosidade do público acompanhou essa trajetória. Numa apresentação em março na conferência Be+Well, em Nova Iorque, a analista de tendências Spate mostrou que as pesquisas por máscaras LED subiram 34 por cento, somando Google e TikTok, e que sete em cada dez dessas buscas aconteceram no Google, conforme divulgado pela revista Happi. É um mercado que já tem prateleira própria: a Omnilux e a HigherDose vendem painéis e até filtros de chuveiro com luz vermelha, algo que até há dez anos só se encontrava dentro de uma clínica. Poucos sabem, porém, que a tecnologia nasceu num contexto bem diferente: pesquisadores da NASA a estudavam como possível aceleradora da cura de tecidos em condições de microgravidade, uma origem que a Forbes Vetted contou no artigo “The Billion-Dollar Glow”. Julie Johnson, da HealthFocus International, credita à Geração Z e aos millennials boa parte dessa procura recente, motivada mais pelo resultado visível na pele, no cabelo e nas unhas do que por qualquer promessa de saúde a longo prazo.

Foi neste mercado que De Vries entrou, através de uma parceria com a barrelsauna.nl centrada em tecnologia de luz vermelha para a longevidade.

Por que o oceano sai mais barato

Manter servidores frios é caro em terra firme: um centro de dados pode gastar até metade da sua conta de luz, entre 40 e 50 por cento do total, apenas com refrigeração. No fundo do oceano, essa fatia encolhe para cerca de 10 por cento, já que a água do mar faz de dissipador de calor sem custo elétrico extra. Isso traduz-se num rácio de eficiência energética próximo de 1,15, bem acima dos 1,4 a 1,6 que se veem em boas instalações terrestres.

Este raciocínio já foi testado. Ao longo de quase dez anos, a Microsoft experimentou-o através do Project Natick e chegou a uma taxa de avarias de apenas 0,7 por cento nos servidores debaixo de água, oito vezes menor do que os 5,9 por cento verificados em terra, um resultado que a empresa associou ao facto de o ambiente estar selado e livre de intervenção humana. Ainda assim, engavetou o projeto: a conta financeira, na altura, simplesmente não fechava. Hoje fecha, e é a China que está a prová-lo, com duas instalações já a operar comercialmente. O Hainan Cluster atende China Telecom, Tencent e SenseTime, processando sete mil pedidos de inteligência artificial por segundo, enquanto a unidade de Lin-Gang, perto de Xangai, ficou pronta em outubro de 2025 depois de um investimento de 226 milhões de dólares e tira 97 por cento da eletricidade que usa de parques eólicos ao largo da costa.

Junte-se a isso um detalhe geográfico simples: a maior parte da humanidade, mais de 50 por cento, vive a menos de cem quilómetros do litoral. Isso sozinho já justifica boa parte do apetite comercial por estes centros, que ficam fisicamente próximos das cidades que mais consomem inteligência artificial. Isso reduz tanto a perda de energia quanto o tempo de resposta.

O único critério fixo

Por trás destes números está um critério só, que De Vries usa em qualquer setor onde decida entrar. “O capital é uma mercadoria. A convicção não é”, diz sobre o filtro que aplica. Fala com a autoridade de quem já esteve no lugar oposto: fundou e vendeu a Costa Events, uma operadora de eventos de verão espanhola, e depois deixou de comandar o dia a dia da GAET Holding. Hoje fica apenas como sócio.

Esse passado aparece nas decisões que toma agora. A posição em dívida privada que mantém em Viena, com colateral e retorno desproporcional ao risco, é a âncora quando uma das apostas mais especulativas em tecnologia não corre bem. Em fintech, aposta numa lógica parecida à dos bancos digitais europeus. Em inteligência artificial, prefere financiar quem constrói produtos por cima de modelos já existentes a apostar no próprio modelo, porque é ali, acredita, que o valor vai se acumular conforme a tecnologia amadurece. Na Alemanha, ainda coloca dinheiro em drones autónomos voltados para tarefas industriais perigosas e repetitivas.

A pergunta central mantém-se igual em cada setor: sem o dinheiro de De Vries, este fundador continuaria de qualquer forma a tentar resolver o mesmo problema? Entre luz vermelha, oceano e céu, essa continua a ser a única variável que De Vries trata como constante.

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